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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CARNE NO BRASIL

O ESTADO DE S. PAULO - SP | ESPAÇO ABERTO
AGRONEGÓCIO | ENSINO DA MEDICINA VETERINÁRIA | ZOONOSES | ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL
Marketing da discórdia (Artigo)
XICO GRAZIANO
POR XICO GRAZIANO
Toni Ramos que se cuide. Ao virar garoto-propaganda da Friboi, o ator meteu-se numa encrenca que mobiliza o setor de carne bovina no Brasil. Os pecuaristas vislumbram, com temor, a formação de poderoso cartel entre os frigoríficos. Ruim para a boiada, péssimo para o churrasco.

Começou há meses esse embaraço. Articulada com o apoio da conceituada ONG Amigos da Terra, uma série de reportagens do Fantástico (TV Globo) mostrava, com imagens horríveis, a triste situação dos abatedouros municipais no País. Moscas, ratos, urubus misturavam-se à sujeira sanguinolenta, atestando absoluta falta de higiene no descame das reses. As matérias induziam o telespectador a descobrir a origem da carne que consumiam. Cuidado com a carne clandestina.

A tese está correta. O serviço de inspeção veterinária é fundamental para verificar a existência, no animal abatido, de certas Zoonoses, como tuberculose e cistieèrcose, potencialmente transmissíveis aos humanos. Ademais, somente profissionais habilitados conseguem avériguar as adequadas condições de asseio, impedindo a contaminação local da carne. A morte do bicho ainda deve seguir as regras do abate humanitário, amenizando seu sofrimento. Nenhum frigorífico poderia funcionar sem obedecer a tais exigências.

Ao que tudo indica, porém, houve um jogo combinado. Logo na sequência daquele impactante jornalismo, começou a ser veiculada umaforíe campanha de marketing enaltecendo a excelência da camè oriunda da Friboi. As peças publicitárias sugerem ao consumidor que somente o produto dessa empresa garante a qualidade do bife. Foi essa mensagem que irritou profundamente a senadora Kátia Abreu (PR-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Em discurso na tribuna do Senado, a líder ruralista denunciou um "marketing enganoso" no ramo de comércio da carne bovina. Reforçando sua posição em artigo publicado na Folha de S.Paulo (Arquitetura do monopólio, 19/8), a parlamentar acusou o Grupo JBS, dono da marca Friboi, de se aproveitar de vultosos empréstimos obtidos no BNDES (acima de R$ 7 bilhões) para buscar o monopólio do setor. Com respaldo do poder público, estaria ocorrendo um "massacre publicitário" contra as demais empresas frigoríficas do País.

Apolêmica avolumou-se. Roberto Smeraldi, sério ambientalista, responsável pela ONG Amigos da Terra, safou-se do conluio em favor do monopólio da carne. Disse apenas lutar, honestamente, pelo direito do consumidor de usufruir um produto sadio, mostrando ter servido de inocente útil na jogada do poderio econômico. O núcleo da questão reside no seguinte: seria saudável apenas a carne oriunda de grandes frigoríficos, ou os pequenos abatedouros também conseguiriam assegurar a qualidade de seu produto?

A legislação sobre a inspeção sanitária de produtos de origem animal no Brasil vem desde 1950. Atualizada em 1989,estabeleceu três níveis, crescentemente rigorosos, para o trabalho de fiscalização. Funciona assim: para a venda apenas dentro de cada município, vale o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), a cargo das prefeituras; a distribuição em nível intermu-nicipal exige o Serviço de Inspeção Estadual (SIE), mantido pelos governos; sendo o negócio nacional ou internacional, manda o Serviço de Inspeção Federal (SIF), exercido pela União. Em qualquer um deles, a inspeção é obrigatoriamente realizada por Médico Veterinário pertencente ao quadro público. Um serviço estatal.

Esse modelo de inspeção, territorial e estatizante, vem sendo questionado há tempos. Em contraposição, défende-se um sistema integrado com as empresas processadoras, imputando a estas a responsabilidade de garantir a qualidade de seus produtos. Nesse caso, caberia ao Estado, com poder de polícia, verificar o cumprimento da legislação. Haveria vantagens para a produção artesanal, que seria certificada num processo distinto do industrial, e as barreiras geográficas seriam substituídas por requisitos tecnológicos. Assim se procede em quase todo o mundo.

Hoje se toma como princípio, equivocado, que o rigor na inspeção é exclusividade do SIF, sobrevalorizando o âmbito federal. Sim, é verdade, suas normativas são bastante exigentes. Mas, infelizmente, acabam definindo um padrão, oneroso e burocrático, incompatível com o processamento de pequena escala, favorecendo os grandes frigoríficos. O problema atinge outros setores. Boa parte, por exemplo, do queijo fresco, típico do interior, elaborado historicamente pelos agricultores familiares, é jogada na clandestinidade pelas normas que, em nome da qualidade, beneficiam sempre os maiores laticínios. A legislação conspira contra os singelos.

O atributo da carne na panela, ou do queijo na goiabada, não se mede necessariamente pela escala do negócio. Mais importante que fechar os abatedouros vagabundos, cabe ao poder público ajudar na transformação tecnológica dos pequenos e médios empreendimentos, que precisam ser melhorados, devidamente fiscalizados. Não é justo, nem realista, supor que as periferias metropolitanas e o interior do Brasil venham a ser abastecidos somente pelos grandes conglomerados da alimentação.

Não se pode recriminar Toni Ramos nem seus colegas artistas por ganharem seu pão. Nem mesmo a Friboi deve ser condenado por investir em sua imagem. Errado, isso sim, opera um sistema que, seja na política do BNDES, seja no esquema da inspeção sanitária, atua em favor dos poderosos. Existem cerca de 1.300 frigoríficos espalhados pelo País que contribuem, bem ou mal, para oferecer a proteína e o gosto da carne na mesa das famílias. Seria bom vê-los aprimorados, não engolidos pela truculência capitalista.

*

AGRÔNOMO, FOI SECRETARIO DE AGRICULTURA E SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Uma viagem de 65 km e quatro dias pelas melhores praias do Piauí

Uma viagem de 65 km e quatro dias pelas melhores praias do Piauí




Quatro burricos comendo alga marinha logo cedo. Um adolescente no mar, dançando entre uma onda e outra. Um velhinho sacudindo um coqueiro. Uma cidadezinha inteira com sérios problemas para escrever 'crepes'.
Esses foram os destaques da minha viagem, no mês passado, pelos mais de 65 quilômetros do litoral do Piauí, estado nordestino que mal é registrado no consciente brasileiro, que dirá nos guias de turismo.
Por que eu faria tal coisa? Tudo começou com uma bronca pessoal e uma imaginação excessivamente fértil. Tinha me deparado com mais um daqueles artigos tipo 'as melhores praias do mundo', um conceito que me irrita muito. Quem tem autoridade suficiente para fazer uma declaração dessas? Para criar uma lista desse tipo, seria preciso visitar todas as praias do mundo (tarefa impossível até para os mais fanáticos por sol).
Aí eu me lembro de ter olhado, cheio de curiosidade, para o minúsculo litoral do Piauí no mapa. Praticamente todo no interior, o estado só tem o dedinho no Oceano Atlântico, espremido entre destinos mais badalados como o Maranhão e o Ceará. Eu poderia muito bem caminhar por toda a extensão de seu litoral e afirmar, com absoluta autoridade, qual é a 'Melhor Praia do Piauí'.
Dei zoom na região no Google Maps e fui para as imagens de satélite. Além de dois rios, nada mais interrompe a longa faixa de areia – nada de despenhadeiros, portos ou bases navais. Embora eu não seja um caminhante fanático, imaginei que quatro dias seriam suficientes para cobrir os 65 quilômetros e pouco, principalmente porque o terreno é plano. (Coisa interessante, o mar – ele é sempre no nível do mar.)
Imprimi o mapa e decidi não fazer mais nenhuma pesquisa – tanto para aumentar o clima de aventura como não influenciar a minha escolha – e fiz uma reserva num voo de São Paulo a Teresina, capital do Piauí, cidade que fica a seis horas de Parnaíba, pertinho do litoral. De lá, peguei uma van lotada para Porto dos Tatus, que fica rio acima em relação ao meu local de partida: o extremo noroeste da Ilha Grande.
Porto dos Tatus é para onde os barcos levam os turistas nos passeios pelo delta do Parnaíba. Um guia chamado Bal concordou em me levar ao pontinho que lhe mostrei no mapa por 150 reais. (Também achou que eu estava ficando maluco, mas dinheiro é dinheiro.) Uma hora e pouco de travessia pelos mangues, e ali estávamos nós. Eu me cobri de protetor solar enquanto Bal amarrava minhas duas garrafas d'água com um cadarço para que eu pudesse levá-las penduradas no pescoço. Depois, foi só pegar a minha mochila (com câmera, lanterna, escova de dente e duas mudas de roupa), e pé na estrada.
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- The coast near the border of Piauí and Ceará states.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- Franciso "Bal" das Chagas.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)
O areal aberto – não havia árvores perto da água – parecia desencorajador sob o sol escaldante e a temperatura acima dos 30° C, mas uma brisa fresca começou a soprar, aliviando o calor. O meu objetivo era chegar ao outro lado da Ilha Grande até o final do dia e atravessar o rio para chegar a Luis Correia, a cerca de 19 quilômetros. Bal disse que eu passaria por um vilarejo no meio do caminho, Pedra do Sal, onde poderia almoçar. Por enquanto, a areia e as poças de água do mar no horizonte eram só o que eu conseguia ver. E eu de chinelo de dedo pela areia dura.
A princípio, as únicas atrações eram os bandos de pássaros no céu e os desenhos em preto/branco/bege na areia, que pareciam feitos no computador ‒ mesmo assim, era muito legal poder conferir a paisagem real depois de estudar as imagens de satélite durante semanas.
A cada quilômetro e meio, mais ou menos, eu encontrava seres humanos: pescadores na água jogando e recolhendo suas redes, tão concentrados na tarefa que não pareciam dispostos a bater papo. Encontrei uma tartaruga marinha morta sendo devorada pelos urubus – que também não estavam a fim de conversa – e a cada cem metros, mais ou menos, via o corpo de uma água-marinha rosa e roxa, murcha como um balão Hello Kitty deformado. Essas novidades ajudavam a passar o tempo mais rápido.
Cheguei a Pedra do Sal depois de algumas horas e bati um prato de peixe frito e batata doce por 27 reais na barraquinha Bar Farol onde, num dia de semana, eu era o único cliente ‒ até a chegada de cinco cachorros de rua supereducados à procura de comida.
À tarde, as novidades continuaram. Vi as turbinas eólicas que se estendiam a leste da cidadezinha, prova de que o ventinho fresco que eu achava ser sorte minha, na verdade fazia parte da experiência. Aí fiquei assustado quando a luz do dia começou a piscar feito uma vela trêmula. Depois de uns cinco segundos de confusão – Será que eu estava desmaiando? Era o fim do mundo? – olhei para cima e percebi que um dos monstrengos girava bem na linha entre mim e o sol que se punha.
A noite caiu bem quando cheguei ao rio que separa a Ilha Grande de Luis Correia, e aí era hora de usar a lanterna. Podia ver as luzinhas do vilarejo brilhando na outra margem do rio, mas na ilha não havia vivalma. Hora de dormir debaixo de uma árvore, pensei, quando vi um acampamento à distância.
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- The Brazilian beach version of crepes, or, as they are spelled locally, krep
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- A beach near Cajueiro Grande, in Piauí.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)
Sorte minha que as cidadezinhas são modorrentas. Três adolescentes que não tinham nada para fazer em Luis Correia tinham atravessado o rio para pescar e estavam assando o (único) peixe numa fogueira. Eles se prontificaram para me levar até a outra margem e, antes que me desse conta, lá estava eu subindo na precária jangada (que não era nada além de metro por metro e meio de tábuas), movida por um mecanismo de remo de leme que não entendi muito bem. Na verdade, só topei porque sabia que poderia nadar até a outra margem se alguma coisa acontecesse. Apesar da desconfiança, chegamos do outro lado e não demorei nada para descobrir um quarto básico por 40 reais na Pousada Boa Esperança e um saborear um 'arrumadinho' – arroz, feijão e carnes variadas ‒ na barraquinha Bom Lanches.
Na manhã seguinte, parti para a Praia do Atalaia, uma faixa de areia que, apesar da aparência deprimente, parecia ser bem popular, cheia de restaurantes e bares que ficam lotados no fim de semana. Notei também um detalhe bem interessante: espalhados na frente de vários quiosques havia placas anunciando 'krep's'. Não era crepes, nem krepes, creps ou mesmo kreps, mas krep's, com apóstrofe mesmo.
Depois de alguns quilômetros, cheguei à Praia dos Coqueiros e aí os belos resorts e pousadas começaram a pipocar. Parei para almoçar no Alô Brasil, um restaurante decorado com palmeiras e uma comida bem cara (um prato de caranguejo e outro de peixe, mais bebida, saíram por 60 reais).
Enquanto descansava os músculos doloridos, percebi que estava me divertindo a valer. É incrível como as coisas pequenas – uma tartaruga morta, um erro ortográfico, três garotos assando peixe – são mais fascinantes quando imprevisíveis.
Quando pus o pé na areia de novo, outra atração surgiu bem na minha frente: um garoto de 17 anos chamado Antônio Max, girando sobre a cabeça à beira d'água.
'Estou praticando o meu hip-hop', explicou ele, pronunciando 'ripi rópi', como todo brasileiro tende a falar.
Parei para dormir em Maramar, uma vila minúscula onde, chocado, descobri que havia uma pousada. Seu nome explicava tudo: Kite Pousada, que fazia parte do cenário emergente do kite surf da região. Era administrada por mãe e filho, que me cobraram 70 reais por um quarto – achei meio caro, mas estava cansado demais para discutir preço.
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- The road from a shrimp hatchery to Cajueiro da Praia.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- Kite surfers are starting to migrate from Jericoacoara in Ceará state to Barra Grande in Piauí.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)
Hospedados ali estavam os únicos estrangeiros que encontrei ao longo de todo o percurso: uma equipe de kite surf formada por um finlandês, um inglês, um canadense e um italiano. Juntos, comemos no único quiosque da praia (e dá-lhe peixe e batata doce). Eles me explicaram que a região era famosa pelos ventos e se mostraram curiosos com a minha caminhada ‒ já que eu ia de oeste para leste.
'É, estou indo contra o vento', reconheci. 'Sei que foi um erro.'
'Um erro bem grande', conformou o italiano.
Tudo bem. Na manhã seguinte, deixei os gringos para trás e pensei em ir direto para a próxima cidade, Macapá, onde, segundo me disseram, seria mais fácil encontrar um pescador que se dispusesse a me ajudar a atravessar o segundo rio, até Barra Grande ‒ mas, de novo, uma visão inesperada me pegou de surpresa: na areia branca de uma pequena enseada, uma família de quatro burricos comia alga marinha.
Pensando bem, eu não devia me espantar. Os animais vivem soltos em toda a região e se alguém me perguntasse, hipoteticamente, se jumento come alga marinha, eu diria que sim ‒ mas, por alguma razão, fiquei maravilhado. Tirei fotos. Por um momento, desejei estar começando uma banda para poder chamá-la de Jumentos Comem Alga.
Saindo do transe, caminhei até a foz do rio Macapá, onde um banco de areia formava um tipo de semilagoa. Observei dois kitesurfers deslizarem na água e levitarem, alcançando alturas impensáveis para depois aterrissarem suavemente. Legal. Não tão legal quanto os jumentos comendo alga, mas achei bem bacana.
Com uma ajuda minha no remo, um pescador chamado Francisco me levou até a outra margem do rio, em Barra Grande, por 20 reais.
Descobri uma casa de crepes que estava aberta – o Bar e Restaurante O Tutuca. Quando atravessei o Macapá, deixei para trás o município de Luis Correia e seus erros de ortografia, mas não devia ter me surpreendido ao ver que o dono, que atende pelo apelido de Tutuca, resolveu anunciar seu produto como 'creps'.
Fiquei observando enquanto ele despejava a massa em moldes ovais do que parecia uma máquina de waffles, para depois cortar fatias de salsicha e queijo e colocá-las no meio da mistura, cobrindo com mais massa e fechando a tampa. O resultado era uma panqueca recheada com cara de picolé. Uma delícia.
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- Francisco Alvez Ferreira, known as "Chaga," outside his home in Cajueiro da Praia.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- Donkeys have a breakfast of seaweed on the sands of Maramar beach.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)
Minha intenção era chegar a Cajueiro da Praia até o fim do dia e devo confessar que não via a hora, mas meu ritmo estava mais lento por causa das bolhas e dos músculos cansados. Mesmo assim, no meio da tarde eu já devia estar perto de algum lugar, mas não havia nem uma alma viva para quem perguntar ‒ isto é, até eu me deparar com uma casa simples, à beira d'água, protegida por uma cerca rústica. Dava para ver que era uma residência e não uma casa comercial. Resolvi bater.
Nem precisou porque ela já estava aberta e Francisco Alves Ferreira, de 70 anos, estava lá dentro assistindo à partida entre Brasil e Iraque, sem camisa. Olhando para a pele escura de seu peito, imaginei se ele tinha uma.
Segundo ele, eu estava bem perto de Cajueiro da Praia: 'Mais uns dez minutos e você já começa a ver as casas; aí, mais dez minutos dali até o centrinho.'
Agradeci e ele me perguntou se eu queria alguma coisa para beber. Sem esperar resposta, Francisco pegou uma vara e uma machadinha e me levou para o quintal, onde cutucou um coqueiro, pegou o coco, abriu e me deu. Enquanto eu bebericava, ele me contou que tinha sete filhos e mais de doze netos, todos espalhados pela região.
Francisco estava certo; levei 25 minutos para chegar a Cajueiro da Praia, onde me hospedei na Pousada Lu (30 reais) antes de percorrer o último trecho da costa na manhã seguinte, terminando minha viagem numa fazenda de camarões que, segundo os funcionários, exportava para os EUA e China.
Para ser sincero, tinha me esquecido do meu objetivo inicial, que era descobrir a melhor praia do Piauí ‒ mas tudo bem, não daria para escolher só uma mesmo. Depende, é claro, de cada pessoa e do que ela quer.
Só posso dizer que se você procura aquela praia tropical clássica, vá para Coqueiros; se estiver em busca de solidão, os primeiros quilômetros de Ilha Grande são ideais; se for um kitesurfer, vá para Barra Grande ‒ e se você for Francisco Alves Ferreira, fique na praia sem nome (pelo menos que eu saiba), com cocos ótimos, que fica a dez minutos a oeste do ponto em que você começa a ver as casinhas de Cajueiro da Praia.
The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times._NYT_
UNDATED -- BC-TRAVEL-TIMES-BRAZIL-BEST-BEACH-ART-NYTSF -- Fishing boats along a stretch of Piauí.. (© CREDIT: Seth Kugel for The New York Times)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cientista critica pesquisas com vírus da gripe aviária




Por Redação da Galileu


A gripe aviária tem uma alta taxa de mortalidade - 60% dos casos já diagnosticados resultaram em morte. No entanto o vírus H5N1, responsável pela doença, sempre foi pouco transmissível entre humanos, impedindo uma epidemia. Agora, pesquisas feitas na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e no Centro Médico Erasmus de Roterdã, na Holanda, criaram mutações do vírus capazes de se transmitir entre furões, animais com biologia semelhante à nossa. 

A intenção dos pesquisadores era preparar o mundo para o aparecimento dessa nova mutação e ajudar órgãos de saúde a desenvolver tratamentos e vacinas com antecedência. Mas, segundo alguns críticos, eles teriam criado o vírus mais perigoso já visto. As críticas são as mais variadas. Terroristas poderiam copiar a pesquisa. O vírus poderia escapar do laboratório. Ele seria usado como arma. 






Mesmo o governo americano e a Organização Mundial de Saúde encaram os estudos com cautela, e pediram para as revistas que publicariam as pesquisas que censurassem os detalhes do vírus. Para entender quais são os riscos envolvendo a mutação do H5N1, a GALILEU conversou com Richard Ebright, químico especialista em biodefesa da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. Veja a entrevista completa: 

- O que te preocupa mais: a possibilidade de alguém copiar o vírus mutante ou uma falha de segurança nos laboratórios? 

A menos que a Organização Mundial da Saúde se mova rapidamente para fazer restrições quanto ao número de laboratórios autorizados a possuir esse vírus, é possível que ele seja distribuído para dezenas ou centenas de laboratórios ao redor do mundo. Nos Estados Unidos. No resto do Ocidente. Nos países do BRIC (incluindo o Brasil). Em outros lugares. Dentro de meses. 



Cada novo laboratório autorizado a possuir o vírus será mais um ponto de liberação em potencial. O maior risco é a liberação acidental do vírus por meio da infecção de um trabalhador dos laboratórios (para o qual existem diversos precedentes) e a liberação intencional do vírus por um funcionário perturbado ou descontente (para o qual as cartas com Antraz enviadas nos Estados Unidos em 2001 são um precedente). 

- Quantas pessoas já viram os detalhes da pesquisa com o H5N1? 

Centenas de pessoas viram todos os detalhes do trabalho. De milhares a dezenas de milhares ouviram informações suficientes para reconstruir os detalhes mais relevantes. Mas a informação não é o perigo primário. O vírus é o perigo primário. As discussões deveriam estar voltadas para controlar o vírus, não para controlar a informação. 

- Mas já aconteceu de um vírus escapar do laboratório onde estava sendo estudado? 

Isso já aconteceu inúmeras vezes. O vírus do SARS já escapou de laboratórios de alta segurança em 4 ocasiões diferentes, infectando funcionários do local. Um estudo de 2010 feito pela Academia de Ciência dos EUA documentou 395 acidentes envolvendo armas biológicas e patógenos nos laboratórios americanos de 2003 a 2009.

- As pesquisas estão sendo feitas em laboratórios de segurança nível 3, embora o nível 4 seja o mais seguro. O que você acha disso? 

É uma irresponsabilidade - uma irresponsabilidade grosseira - fazer esses experimentos sem seguir o maior nível de biossegurança possível. Os laboratórios nível 3 são apropriados para variedades naturais do H5N1, que são incapazes de se transmitir pelo ar entre mamíferos. Os laboratórios nível 3 são inapropriados para a nova cepa do H5N1 transmissível entre mamíferos. 

O único argumento feito contra o maior nível de biossegurança é que seria “inconveniente” para os pesquisadores. Esse argumento não tem peso nenhum, a “conveniência” pessoal de pesquisadores não deveria ser mais importante que a segurança do publico. 



A pesquisa não deveria ter sido financiada e não deveria ter sido feita. Infelizmente, agora que os novos vírus já foram criados, será necessário que as pesquisas com ele continuem, para desenvolver novas vacinas e drogas. É crítico que, conforme avançamos, o número de laboratórios autorizados a possuir o novo vírus seja restrito, que os maiores níveis de biossegurança sejam requeridos e que todos os experimentos vindouros passem pela aprovação internacional.




Fonte: Revista Galileu

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CORDEL ENCANTADO DA AGED-MA

3º COLOCADO NO CONCURSO DE TALENTOS DA AGED-ME, REALIZADO DURANTE A CONFRATERNIZAÇÃO OCORRIDA EM 16.12.2011



Motivado pela magia
das festas que se aproxima
reis, natal e ano novo
em que tudo fica por cima
e reunido com o meu povo
é a primeira vez que me movo
pra esse negócio de rima
 
Anida falando em festa
venho eu anunciar
a paixão  que tenho eu 
e a honra de trabalhar
numa agência de defesa 
que para mim tenho a certeza
de jamais abandonar
 
jamais abadonaremos
a nossa grande missão
que foi a nós foi confiada
pelo povo do Maranhão
que com seu suor ardente
nos garantem regularmente
  nossa remuneração
 
e por falar em salário
não podemos esquecer
que um grupo foi premiado
com o famoso PCC
agradecido e motivado
graças ao governo do estado
que venho reconhecer
 
reconhecer o esforço
de muitos profissionais
que há tempos vêm lutando
pelos nossos ideais
de garantir alimento
saudáveis a todo tempo
e outras "cositas" mais
 
reconhecemos  aqui  também
as outras categorias
ANS, ADO E INAGRO
que nos fazem companhia
de importância inigualada
na nossa grande jordada
te agradecemos neste dia
 
confiamos também nossa saúde
a uma equipe especial
que inspeciona o alimento
de origem animal
garantindo a todo momento
o bem-estar a contento
da população em geral
 
e o que seria de uma economia
sem um forte agricultura
que tem por base uma defesa
que trabalha em linha dura
ao nosso fiscal vegetal
um obrigado especial
a natureza é sua cultura
 
e chegando ao final 
desta simples poesia
gostaria de desejar 
à nossa diretoria
na pesssoa de Fernando Lima
finalizando esta rima
muita paz e harmonia
 
2012 está chegando
é o ano da revolulção
da pecuária Maranhense
e da ecnomia da nasção
cantaremos de verso e prosa
Maranhão livre da Aftosa
recuar não podemos não



FELIZ 2012 A TODA FAMÍLIA AGED-MA



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O BRASIL E AS GALINHAS

 
O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS!
 
 
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o
levaram para a delegacia.
D - Delegado
L - Ladrão
D - Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que
comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
L - Não era para mim não. Era para vender.
D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio
estabelecido. Sem-vergonha!
L - Mas eu vendia mais caro.
D - Mais caro?
L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as
minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos
enquanto as minhas botavam ovos marrons.
D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.
L - Os ovos das minhas eu pintava.
D - Que grande pilantra.. (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...)
D - Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar
mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os
preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos
outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um
oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio..
D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?
L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas.
Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui
exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de
alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a
cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois
perguntou:
D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o
que tenho depositado ilegalmente no exterior.
D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
L - Às vezes. Sabe como é.
D - Não sei não, excelência. Me explique.
L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma
coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo
uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu
me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso,
finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...
Luiz Fernado Veríssimo